Saber se o beneficiário do Bolsa Família pode fazer bico é crucial para manter o auxílio. O programa, criado em outubro de 2003 pela Medida Provisória nº 132 (hoje revogada), oferece um valor médio mensal de R$ 682,22 a cerca de 19 milhões de famílias, o que contempla mais de 49 milhões de pessoas, segundo relatório do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), elaborado em setembro de 2025.
Porém, para que essa quantia seja paga aos beneficiários, estes devem respeitar os limites de renda estabelecidos pelo programa e manter o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, além de obedecer a outras condições. Por isso, o Guiadin traz neste conteúdo o que fazer para manter o Bolsa Família, enquanto realiza alguns bicos. Confira a seguir!
Quem recebe o Bolsa Família pode fazer bico?
A dúvida sobre se o beneficiário do Bolsa Família pode fazer bico é comum, sobretudo entre aqueles que buscam complementar a renda, mas sem perder o auxílio.
A resposta é sim — quem recebe Bolsa Família pode fazer bico, desde que a renda extra não ultrapasse os limites definidos pelo programa e as demais exigências também sejam respeitadas.
A partir de junho de 2025, entrou em vigor a nova Regra de Proteção, regida pela Portaria nº 1.084, do MDS, que permite às famílias beneficiadas ultrapassarem o limite de entrada no programa.
Dessa maneira, os contemplados podem receber 50% do valor do benefício por até 12 meses, desde que a sua renda não esteja acima de R$ 706.
Isso significa que pequenos trabalhos informais, como bicos, podem ser realizados sem o cancelamento instantâneo do benefício, desde que a renda total da família permaneça dentro dos parâmetros.
Assim, com a nova regra de proteção vigente, o governo deseja garantir que beneficiários em transição de renda não percam o auxílio de imediato, ao promover uma saída gradual da situação de vulnerabilidade.
Além disso, a medida visa incentivar a autonomia financeira e a inserção no mercado de trabalho, sem penalizar instantaneamente quem começa a melhorar de vida.

Entenda como o Bolsa Família funciona
O Bolsa Família é um programa de transferência de renda voltado a cidadãos em situação de pobreza e extrema pobreza. O projeto é gerido pelo MDS e tem como base o CadÚnico para Programas Sociais do Governo Federal.
O valor do Bolsa Família varia conforme a composição familiar, isso pode incluir parcelas para crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes.
Além disso, o Benefício Primeira Infância e o Benefício Variável Familiar têm valores ajustados de acordo com as necessidades de cada núcleo familiar.
Assim, o objetivo principal do Bolsa Família é garantir uma renda mínima, promover o acesso a serviços públicos e estimular a superação da pobreza.
Confira quais os critérios para manter o benefício
Para entender quando o beneficiário do Bolsa Família pode fazer bico, é indispensável conhecer as condições exigidas para não perder o valor; as principais exigências são:
- Renda per capita: valor de até R$ 218,00 para entrada no programa e sem passar de R$ 706,00 para mantê-lo, pelo menos, durante 12 meses;
- CadÚnico atualizado: em casos de mudança de endereço, composição familiar ou renda é imprescindível realizar as atrações no CadÚnico;
- Compromissos na área de saúde: mulheres grávidas devem realizar o acompanhamento pré-natal regularmente, crianças com menos de sete anos precisam passar por avaliações periódicas do seu estado nutricional e devem ser vacinadas conforme o cronograma oficial estabelecido pelo Ministério da Saúde;
- Exigências na área da educação: crianças entre quatro e cinco anos devem estar presentes em pelo menos 60% das atividades escolares, já as com idade entre seis e dezessete anos precisam manter frequência mínima de 75% nas aulas;
- Participar de programas complementares: quando convocado pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou outras instituições parceiras.
Como a renda é calculada para o Bolsa Família?
A renda familiar per capita é calculada somando todos os rendimentos dos membros da família e dividindo pelo número de pessoas que compõem o núcleo familiar. Para tal, são considerados:
- Aposentadorias;
- Benefícios previdenciários e assistenciais;
- Pensões;
- Rendimentos informais, como os provenientes de bicos;
- Salários.
Confira o exemplo da renda per capita uma família que pode receber o Bolsa Família, composta por 4 pessoas: pai, mãe e dois filhos:
- O pai trabalha como pedreiro e recebe R$ 1.200,00 por mês;
- A mãe faz bicos como diarista e ganha cerca de R$ 600,00 mensais;
- Os filhos não têm renda.
Some todos os rendimentos da família:
- R$ 1.200,00 (pai) + R$ 600,00 (mãe) = R$ 1.800,00 de renda total familiar
Divida pelo número de pessoas da família:
- R$ 1.800,00 ÷ 4 pessoas = R$ 450,00 de renda per capita
Nesse caso, a renda por pessoa é de R$ 450,00. Como esse valor está acima do limite de entrada no Bolsa Família (R$ 218,00 por pessoa), tal família não se enquadraria para iniciar o recebimento do benefício.
Porém, se já recebiam o auxílio e a renda tiver aumentado recentemente, eles são inseridos na Regra de Proteção. Assim, vão receber 50% do benefício por 12 meses, contanto que a renda per capita não fique acima de R$ 706,00.
É fundamental declarar corretamente os rendimentos no CadÚnico, pois a omissão ou inconsistência desses dados tende a levar à suspensão ou cancelamento do benefício.
A renda proveniente de bicos também deve ser informada, mesmo que seja esporádica, para que o governo consiga avaliar se a família ainda se enquadra nos critérios do programa.
Com a nova regra, o beneficiário do Bolsa Família pode fazer bico sem que isso represente uma exclusão imediata, desde que a renda esteja dentro dos limites e seja devidamente informada.
Ultrapassei o limite do Bolsa Família, o que fazer?
Se a renda da família ultrapassar o limite de R$ 218,00 por pessoa, mas permanecer abaixo de R$ 706,00, é possível entrar na Regra de Proteção, como ocorreu no exemplo da família do tópico anterior.
É importante manter o Cadastro Único atualizado e informar qualquer mudança na renda. Famílias que não atualizam seus dados correm o risco de perder o benefício, mesmo que ainda estejam dentro dos critérios.
Caso a renda ultrapasse o teto de R$ 706,00 por pessoa, o benefício será encerrado, mas a família poderá retornar ao programa se a renda voltar a cair.
O acompanhamento contínuo pelo CRAS e a atualização cadastral são essenciais para garantir esse retorno.
Bolsa Família possibilita uma transição financeira mais tranquila
Portanto, quem recebe Bolsa Família pode fazer bico, desde que o valor da renda per capita não fique acima dos limites estabelecidos e seja corretamente informado.
A nova Regra de Proteção ainda oferece uma rede de segurança para famílias em transição, o que lhes possibilita avançarem, de forma viável economicamente, sem perder de imediato o suporte do programa.



