No meio do ano de 2025, o Bolsa Família atendia cerca de 20 milhões de famílias, de acordo com dados do Governo Federal, com um valor médio de auxílio de R$ 666,00. Com tantas pessoas contempladas pelo programa, é comum que algumas delas se questionem se o beneficiário do Bolsa Família pode fazer cartão de crédito?
Embora o programa seja voltado a famílias em situação de vulnerabilidade, não há impedimento legal para que elas tenham acesso a produtos financeiros como cartões de crédito, desde que respeitem os limites de renda e não comprometam o orçamento. Para sanar tal dúvida, o Guiadin explica quais os tipos de cartões disponíveis, os critérios para manter o benefício e de que modo consultar o valor recebido.
Quem recebe Bolsa Família pode fazer cartão de crédito?
A resposta é sim: o cidadão que recebe Bolsa Família pode fazer cartão de crédito, mas com algumas ressalvas.
O programa, gerido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), não proíbe os contemplados de contratar serviços financeiros, como cartões de crédito.
No entanto, é essencial que o uso desses produtos não comprometa a renda familiar nem coloque em risco a permanência no programa.
O cartão de crédito não está vinculado diretamente ao Bolsa Família, ou seja, não há uma modalidade específica desse serviço oferecida pelo governo aos cidadãos.
Existe apenas o Cartão Bolsa Família, utilizado para o saque do benefício, ou seja, na prática, opera como um cartão de débito.
Já o acesso ao crédito depende da análise feita por bancos e instituições financeiras, que avaliam o perfil do cliente, sua renda e o histórico de pagamento.

Tipos de cartões de crédito para beneficiários
O beneficiário do Bolsa Família pode fazer cartão de crédito, mas o uso consciente é indispensável para evitar o endividamento e a perda do controle do orçamento familiar.
Assim, embora o programa não ofereça um cartão de crédito próprio, os beneficiários do Bolsa Família conseguem acessar diferentes cartões, desde que aprovados pelas instituições financeiras:
- Cartão de crédito convencional: permite compras à vista ou parceladas, com pagamento posterior. A aprovação depende da análise de crédito e comprovação de renda;
- Cartão de crédito pré-pago: funciona com recarga antecipada, isto é, o usuário deposita um valor e pode utilizá-lo até o limite disponível. É uma alternativa segura para quem evita se endividar;
- Cartão de Crédito CAIXA Tem: exclusivo para usuários do aplicativo CAIXA Tem, ele pode ser solicitado de forma digital e permite realizar compras à vista, com até 40 dias para pagar sem acréscimos, ou parceladas, com ou sem juros, conforme as condições do local da compra.
Critérios para manter o benefício
Para permanecer no Bolsa Família, é necessário cumprir uma série de exigências nas áreas de saúde e educação, além de manter a renda dentro do estipulado.
O uso de cartão de crédito não interfere diretamente na manutenção do benefício, mas o descumprimento destes critérios pode levar à suspensão ou cancelamento do auxílio:
- Renda familiar per capita: o valor total de renda familiar, dividido pelo número de pessoas na família, deve resultar em até R$ 218,00 mensais;
- Cadastro Único sempre atualizado (CadÚnico): é obrigatório manter atualizados os dados de todos os familiares, sobretudo em casos de mudança de endereço, composição familiar ou renda;
- Acompanhamento escolar: crianças de 6 a 15 anos devem ter presença de, pelo menos, 85% das aulas, já adolescentes de 16 e 17 anos precisam ir à escola, no mínimo, em 75% do ano letivo;
- Acompanhamento de saúde: as gestantes têm obrigação de efetuar o pré-natal, e crianças até 7 anos incompletos precisam cumprir o calendário de vacinação e passar por monitoramento nutricional.
Portanto, mesmo que o cidadão contemplado pelo Bolsa Família possa fazer cartão de crédito, é essencial que ele continue atendendo aos critérios do programa para não perder o benefício.
Como é feita a concessão do Bolsa Família?
A obtenção de benefícios sociais começa com o cadastro da família no CadÚnico para Programas Sociais do Governo Federal.
Esse cadastro deve ser feito em um posto de atendimento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou em unidades autorizadas pela prefeitura.
Após o cadastro, o governo realiza uma análise dos dados e, se a família atender aos critérios, ela é inclusa no programa.
A seleção é feita de forma automatizada, com base nas informações do CadÚnico, e não exige solicitação direta do benefício. Quando aprovada, a família recebe uma carta que notifica a inclusão e o valor a ser pago.
A Caixa Econômica Federal é responsável pelo pagamento e pela entrega do Cartão Bolsa Família, que costuma ser enviado pelos Correios, mas também pode ser retirado em agências da instituição.
Como saber o valor do benefício?
O Bolsa Família varia conforme a composição familiar e a renda declarada. Em 2025, o valor-base é de R$ 600,00 por família, com acréscimos conforme os seguintes critérios.
Benefício de Renda de Cidadania
Todas as famílias incluídas no Bolsa Família recebem um valor fixo de R$ 142,00 por pessoa, como base do benefício. Essa quantia é calculada conforme o número de integrantes da família.
Benefício Complementar
Quando a soma dos valores da Renda de Cidadania não alcança R$ 600,00 mensais, é concedido uma quantia adicional para completar esse mínimo.
Para isso, o cálculo é feito com base na diferença entre o total recebido e o valor de referência de R$ 600,00.
Benefício Primeira Infância (BPI)
Famílias com integrantes com idade entre 0 e 7 anos incompletos recebem um acréscimo de R$ 150,00 por criança.
Tal complemento pretende reforçar o cuidado com os primeiros anos de vida, considerados essenciais para o desenvolvimento infantil.
Benefício Familiar Variável (BFV)
R$ 50,00 para cada integrante que se enquadre nas seguintes condições:
- Crianças entre 7 e 12 anos incompletos;
- Adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos;
- Gestantes;
- Lactantes com bebês de até 6 meses de idade.
Benefício Extraordinário de Transição
Com a reformulação do programa em junho de 2023, foi criado um auxílio temporário para garantir que nenhuma família recebesse menos do que tinha direito anteriormente.
Esse complemento é pago exclusivamente às famílias que estavam no Programa Auxílio Brasil em 2 de março de 2023 e, após a mudança, tiveram uma redução no total do benefício.
O pagamento é efetuado com base na diferença entre a quantia recebida em maio de 2023 e a nova cifra calculada em junho de 2023, e é mantido enquanto o caso persistir.
Canais de consulta
Para saber o valor exato recebido, o beneficiário pode consultar:
- Central de Atendimento da Caixa: pelo número de telefone 111 ou 0800 726 0207;
- Site da Caixa: oferece consulta por CPF e Número de Identificação Social (NIS);
Essa transparência é essencial para que o beneficiário consiga planejar as finanças e decidir com responsabilidade se é vantajoso solicitar um cartão de crédito, sem que comprometa o orçamento.
Sim, quem recebe Bolsa Família pode fazer cartão de crédito!
Portanto, receber o Bolsa Família e contratar um cartão de crédito não é impossível, desde que a pessoa tenha a aprovação da instituição financeira e utilize o crédito com responsabilidade.
Assim, o beneficiário do Bolsa Família pode fazer cartão de crédito, porém, deve entender os tipos disponíveis, manter o CadÚnico atualizado e evitar um impacto negativo na renda familiar, devido a esse produto financeiro.



