O acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) representa uma garantia fundamental para a sobrevivência de cidadãos que enfrentam limitações severas e não conseguem mais atuar profissionalmente. Por isso, é essencial compreender quais são as doenças que dão direito ao BPC em 2026, uma vez que o diagnóstico preciso e a comprovação das barreiras cotidianas são os pilares para a aprovação do BPC.
Além do aspecto clínico, o benefício exige o cumprimento de requisitos socioeconômicos rígidos que visam amparar famílias em estado de necessidade. Estar bem informado sobre o processo de solicitação e a documentação evita erros comuns que levam ao indeferimento. Por esse motivo, o Guiadin explica detalhes sobre o benefício para você realizar o pedido corretamente e obter o auxílio.
Quais doenças que dão direito ao BPC em 2026?
Diferentemente de outros auxílios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o BPC não apresenta uma lista oficial e definitiva de condições. O que estabelece o direito é o grau de impedimento causado ao indivíduo.
Assim, esse direito depende da comprovação de incapacidade de longo prazo para o trabalho e vida independente, além da situação socioeconômica da família.
Para a legislação, considera-se pessoa com deficiência aquela que sofre com impedimentos por, no mínimo, dois anos de natureza física, intelectual, mental ou sensorial.
Porém, há condições frequentemente aceitas pelo INSS, quando comprovadas por laudos médicos e decisões periciais e administrativas. Assim, algumas costumam configurar o quadro necessário para obter o BPC. Veja abaixo!
Doenças neurológicas
- Alzheimer;
- Doença de Parkinson;
- Esclerose múltipla;
- Paralisia cerebral.
Condições psiquiátricas graves
- Autismo em grau moderado ou severo;
- Esquizofrenia;
- Transtorno bipolar severo.
Doenças crônicas incapacitantes
- Diabetes avançado com complicações;
- Doenças cardíacas graves;
- Doença renal crônica em estágio avançado.
Deficiências físicas e sensoriais
- Amputações que limitam a vida independente;
- Cegueira total ou parcial severa;
- Surdez profunda.
Doenças degenerativas e raras
- Distrofias musculares;
- Esclerose lateral amiotrófica (ELA);
- Fibrose cística.
Os peritos do INSS avaliam se a situação da pessoa a impede de participar da sociedade de forma igual com os demais cidadãos, ao examinar não apenas o diagnóstico, mas também o contexto social e ambiental.
Por isso, não apenas os casos mencionados acima possibilitam o recebimento do auxílio. O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), por exemplo, não é considerado uma deficiência para obter o BPC.
Contudo, se a pessoa sofre com um alto grau de TDAH, se tal condição gera restrições comparáveis às de uma deficiência ou caso esteja associada a outros problemas que aumentem as dificuldades de longo prazo, o BPC pode ser concedido.

Quem tem direito a esse benefício do INSS?
Para receber o valor de um salário mínimo mensalmente, não basta possuir uma das doenças que dão direito ao BPC. É necessário preencher requisitos biográficos e socioeconômicos cumulativos:
- Inscrição no CadÚnico: estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal é obrigatório, e os dados também devem estar atualizados nos últimos dois anos;
- Perfil etário ou de deficiência: o requerente deve ser idoso com 65 anos ou mais, ou ser uma pessoa com deficiência de qualquer idade (o que inclui crianças e adolescentes);
- Critério de renda: a renda mensal por pessoa da família deve ser igual ou inferior a 1/4 do salário mínimo;
- Nacionalidade: ser brasileiro (nato ou naturalizado) ou ter nacionalidade portuguesa com residência comprovada no Brasil.
Passo a passo para comprovar a doença e receber o BPC
Solicitar o auxílio exige organização para evitar que o pedido seja indeferido por falta de clareza nas provas. Por isso, siga rigorosamente as etapas abaixo.
Passo 1: atualização no CRAS
Antes de procurar o INSS, vá ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da sua região. Garanta que todas as pessoas da família estejam no seu CadÚnico e que as informações de renda estejam corretas.
É possível encontrar uma unidade do CRAS por meio:
- Dos Mapas Estratégicos para Políticas de Cidadania (MOPS), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS);
- Do aplicativo para celular, presente na Apple App Store e na Google App Store.
Passo 2: agendamento do pedido
Acesse o portal ou aplicativo Meu INSS, disponível para aparelhos Android e iOS e faça login com a conta Gov.br do solicitante do BPC.

Passo 3: solicitação do BPC no app ou site Meu INSS
No campo de pesquisa, na parte superior da tela, escreva: “benefício assistencial” e escolha “Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência” (PcD).
Pesquisa no app:

Pesquisa no site:

Preencha ou atualize suas informações, leia as orientações e autorize ao INSS consultar o seu CadÚnico.


Passo 4: avaliação médica e social
O pedido do BPC é composto por duas etapas cruciais. A primeira é a perícia médica, em que o especialista do INSS examina a existência das doenças que dão direito ao BPC e demais condições.
A segunda é a avaliação social, feita por um assistente social que analisa a situação de moradia e vulnerabilidade da família.
Se o requerente não apresentar estado físico para ir até o local da perícia, a legislação determina que o procedimento seja efetuado na moradia dele ou no hospital onde está internado.
Quando o atendimento é agendado em um município diferente de onde o solicitante habita, o INSS deve arcar com os gastos de transporte.
Passo 5: monitoramento
Acompanhe a solicitação e, caso o pedido seja negado, entre com um recurso administrativo ou busque auxílio jurídico para uma ação judicial.
Documentos solicitados na perícia do INSS
A fase da perícia é, muitas vezes, o ponto em que ocorrem mais negativas. Para evitá-las, a documentação precisa ser impecável e emitida, no máximo, há seis meses.
Isso aumenta drasticamente as chances de sucesso na análise das doenças que dão direito ao BPC. Veja detalhes sobre os documentos:
- Documentação pessoal: RG, CPF e comprovante de residência recente de todos os membros do núcleo familiar que residem no mesmo imóvel;
- Laudos médicos detalhados e atualizados: devem conter o diagnóstico, o código da doença (CID), assinatura e carimbo do especialista médico e, sobretudo, a descrição das limitações enfrentadas pela pessoa, por exemplo: se o paciente não consegue andar, se alimentar sozinho ou interagir socialmente;
- Exames complementares: resultados de exames de imagem (ressonâncias, tomografias), biópsias ou exames de sangue que comprovem a gravidade da patologia;
- Receituários e prontuários: comprovação de uso de medicamentos contínuos e histórico de internações ou tratamentos realizados.
BPC contempla diferentes pessoas em vulnerabilidade
Diferentemente da aposentadoria, o BPC não exige que o beneficiário tenha contribuído para a Previdência Social ao longo da vida, por se tratar de um benefício assistencial e não previdenciário.
Além disso, o programa contempla idosos e pessoas de qualquer idade com alguma deficiência. Isso possibilita lidar tanto com as despesas domésticas como aquelas voltadas ao tratamento.
Portanto, se você se enquadra nos critérios de renda e possui uma condição limitante, não deixe de buscar seus direitos e iniciar o processo para identificar se o seu caso está entre as doenças que dão direito ao BPC.



